quinta-feira, 21 de outubro de 2010

EUA podem ter mercado extra de 24 bilhões de litros de etanol por ano

A elevação da mistura do etanol na gasolina utilizada nos Estados Unidos de 10% para 15%, aprovada pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, da sigla em inglês), é um claro sinal dado pela agência de que a indústria de etanol de milho já está madura o suficiente para a competição no mercado. A afirmação é do representante da União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica) na América do Norte, Joel Velasco.

Para Velasco, o aumento da mistura em um momento em que os preços do milho estão historicamente elevados e tanto a safra norte-americana como a brasileira podem registrar perdas em função de clima adverso, pode levar o Congresso norte-americano a não renovar os subsídios e a tarifa de importação de etanol existentes hoje e que limita a importação do produto. Nos Estados Unidos, o etanol é produzido a partir do milho.

"Esta decisão abre a perspectiva de abertura de um mercado adicional para etanol nos Estados Unidos de 24 bilhões de litros por ano, considerando a base atual de veículos", afirma o economista Plínio Nastari, presidente da Datagro Consultoria. Segundo ele, a medida é importante para os produtores de etanol de todo o mundo em função de criar a perspectiva do mercado dos Estados Unidos continuar crescendo.

O presidente do Grupo São Martinho, Fábio Venturelli, afirma que a medida é positiva à medida que aumenta o mercado consumidor do etanol no mundo. "Qualquer ação que eleve o consumo mundial é importante para a criação de um mercado internacional do produto e assegurar uma demanda fixa", disse. Venturelli afirma também que o modo gradual em que o E15 será implementado, em fases, é positivo para que os produtores, principalmente os brasileiros, estudem com cautela sua estratégia para participar deste mercado que se amplia.

O aumento da demanda por etanol neste cenário pode fazer com que os Estados Unidos precisem importar o produto no médio prazo. Em um primeiro momento, a medida poderá até servir para escoar parte da produção de etanol de milho dos Estados Unidos e também acabar com a dependência de subsídios do setor. Mas no curto prazo, com o preço do milho elevado, poderá haver até uma consolidação maior. "Poucas empresas poderão produzir etanol com o preço do milho a US$ 6 por bushel", disse Velasco.

O executivo ressalta, contudo, que esta medida não deverá ter um impacto imediato nas exportações de etanol do Brasil. "Qualquer importação de etanol do Brasil pelos Estados Unidos irá depender do preço do etanol brasileiro e do etanol de milho dos Estados Unidos e da necessidade do combustível renovável nos Estados Unidos", disse.

Velasco estima também que, embora a medida tenha validade imediata, sua implantação será lenta. "Os postos americanos irão esperar que a EPA libere o E15 também para os carros mais velhos, modelos 2001 a 2006, para que o mercado consumidor seja maior e gere economia de escala", disse. A medida aprovada hoje pela EPA apenas libera o E15 para carros de modelos 2007 até o presente.

Isso significa que a maioria dos 270 milhões de veículos nos EUA ainda estariam limitados à mistura de 10%. Espera-se até dezembro uma decisão da EPA envolvendo automóveis fabricados entre 2001 e 2006. Para veículos anteriores a 2001, o E15 não será autorizado. "Com isso, apenas cerca de um terço da gasolina vendida nos Estados Unidos serão impactados pela medida", disse.

O executivo estima que as petroleiras irão entrar na Justiça norte-americana contra a medida porque eles perderão mercado com o E15. "É comum que este tipo de ação ocorra nos processos regulatórios", disse. Mesmo as produtoras de etanol de milho estão vendo a medida com cautela. A Archer Daniels Midland (ADM), queria que a mistura fosse elevada primeiramente para 12%. Um porta voz da Valero Energy, que também produz etanol de milho nos Estados Unidos, disse às agências internacionais que é difícil imaginar os varejistas vendendo E15 em um primeiro momento. Isto porque seria necessário investimentos consideráveis para a venda do produto. "Tudo isso faz com que o mais provável é que o E15 realmente entre em vigor de modo a afetar o mercado apenas a partir de 2011", diz Velasco.

Fonte: Eduardo Magossi, da Agência Estado

Etanol continua a desafiar indústria animal dos EUA

Mudam os presidentes, mas os problemas continuam os mesmos. Pelo menos nos EUA. Pelo menos, ainda, para a produção animal, principalmente avicultura e suinocultura.

Como mostrou ontem clipping do AviSite, com o protesto dos grandes consumidores de milho norte-americanos, o Presidente Obama, prosseguindo na mesma política de seu antecessor, autorizou a elevação da mistura do etanol de milho à gasolina, o que – segundo previsões do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) – vai fazer com que 37% da atual produção do grão seja destinada à produção do etanol.

Em outras palavras, mais de um terço do que antes era quase só comida (para a indústria animal, mas também para a indústria de alimentos humanos) está sendo desviada para a fabricação de um biocombustivel. Daí a grita, por exemplo, da avicultura e da suinocultura que, com isso, perdem gradativamente sua competitividade. Ao analisarem-se números do próprio USDA, é possível constatar que as perdas da produção não são nada pequenas. Assim, comparando-se resultados de 2005 com aqueles previstos para 2011, verifica-se que enquanto a produção de milho tende a crescer pouco mais de 7%, o consumo de “outros setores” (nos quais a indústria do etanol está inserida) deve crescer mais de 126%. E, claro, isso implica na redução da disponibilidade para outros usuários – neste caso, a indústria de ração animal, cujo consumo de milho em 2011 deve ser 12% menor que o registrado em 2005. Naturalmente, nessa redução está envolvida a melhora da conversão alimentar dos animais em criação e a utilização de outras matérias-primas alimentares. Mas implica, também, em estagnação da produção, já que a evolução da conversão alimentar e a substituição do milho por outros grãos têm seus limites.

Outro indicador da perda de participação do setor de rações no consumo de milho dos EUA é obtido a partir da análise da destinação segmentada do grão (fabricação de ração + outros usos + exportação + estoque final). Em 2005, as rações absorveram praticamente a metade (48,2%) do total distribuído entre esses quatro segmentos, enquanto 21% foram destinados a “outros usos” (as exportações ficaram com 14,2% e o estoque final com 16,5%.

Já o previsto para 2011 é uma redução da participação das rações para 37,5% (queda de 22%), enquanto dobra o índice de absorção para “outros usos” (etanol, claro). Cai, também, a participação das exportações (menos de 14%) e dos estoques finais – neste caso, apenas 6,3% do total representado pelos quatro segmentos o que, em termos físicos, corresponde a um estoque final de milho quase 60% menor que o registrado em 2005.

Em síntese, tudo indica que a indústria norte-americana continuará enfrentando dificuldades para produzir alimentos de origem animal a custos acessíveis para o consumidor interno e externo. Isso abre novas oportunidades para países concorrentes (como o Brasil) que, entretanto, precisam adotar políticas mais eficientes - para o milho, mas também para a produção animal.

Fonte: AviSite

Alta internacional abre horizontes para o milho

Os produtores brasileiros de milho ganharam uma nova perspectiva diante da valorização na bolsa de Chicago - mercado considerado a referência para a formação de preços internacionais. Apesar de terem encerrado a quinta-feira em queda de 0,3% naquele mercado, a US$ 5,785 por bushel, no início da semana as cotações atingiram o nível mais elevado em dois anos. Essa valorização se deve a um conjunto de fatores. Entre eles está uma safra menor que o esperado nos Estados Unidos, o aumento de importações da Europa depois da seca na Rússia e, principalmente, a possibilidade de a China importar mais que o estimado pelo próprio país.

"Tudo que envolve a China mexe com o mercado. Isso, contudo, permitirá que o Brasil exporte um volume perto de 9 milhões de toneladas neste ano", afirma o consultor Leonardo Sologuren. Segundo ele, o Brasil tem potencial para exportar mais que a Argentina, que no ciclo 2009/10 embarcará 15 milhões de toneladas, segundo o último relatório do departamento de agricultura americano (USDA).

Na avaliação do consultor, o Brasil tem produção suficiente para exportar, existe demanda no mercado pelo produto brasileiro, mas as condições logísticas impedem um avanço do país no cenário internacional. "Para tirar o milho de Mato Grosso e levar até o porto se paga mais pelo frete do que pelo produto. Enquanto esse problema não for solucionado precisaremos de ajuda do governo para exportar milho", afirma.

Ainda em Chicago, os preços da soja terminaram a quinta-feira em alta de 12 centavos de dólar (1%), com os contratos para janeiro valendo US$ 11,99 por bushel.

Fonte: Valor Econômico

Adicional de etanol na gasolina dos EUA gera dúvidas

A decisão da EPA (agência de proteção ambiental dos Estados Unidos) de permitir o aumento da mistura de 10% para 15% de etanol na gasolina do país deve demorar para ter consequências práticas.

O órgão anunciou anteontem que os proprietários de veículos fabricados a partir de 2007 poderão abastecer -não será obrigatório- com gasolina com o adicional de etanol.

Implementação do aumento de 10% para 15% na mistura do combustível esbarra em barreiras. técnicas Com a medida, esperava-se expandir em 50% a demanda de etanol nos EUA, mas há dúvidas sobre a possibilidade de chegar a esse número. A regulação do combustível muda de Estado para Estado e haveria necessidade de fazer esse ajuste.

Como a nova mistura vale apenas para os carros produzidos a partir de 2007, os postos teriam de instalar uma bomba própria para o combustível com 15% de etanol. Ainda que os proprietários de postos tenham disposição de arcar com os custos, a alteração deve demorar.

Preços

A adesão dos motoristas depende também da maior competitividade de preços nas bombas, que pode ser influenciada pelas oscilações na cotação de milho. Apesar das dúvidas em relação à medida, o setor ligado ao etanol de cana-de-açúcar comemorou a decisão.

"Era uma coisa completamente esperada. A decisão está mais de um ano atrasada", declarou o representante-chefe da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) na América do Norte, Joel Velasco.

A nova demanda pelo etanol reforça a pressão dos brasileiros e da indústria alimentícia americana em relação aos produtores de milho, hoje principais fornecedores do combustível nos EUA.

Isso porque, com um acréscimo de cerca de 27 bilhões de litros por ano, a parcela da produção do milho do país destinado às bombas ultrapassaria os 40%. Esse nível impactaria a oferta do grão direcionada para ração de animais e aumentaria a conta de subsídios do governo para o etanol de milho -hoje, em cerca de US$ 6 bilhões ao ano.

Esses impactos negativos dariam força ao argumento do setor brasileiro contra a renovação de subsídios ao combustível americano, ainda neste ano. O etanol de milho conta com um incentivo de US$ 0,45 por galão (R$ 0,20 por litro) e o correspondente brasileiro enfrenta sobretaxa de US$ 0,54 por galão (R$ 0,25 por litro). "É um primeiro passo no rumo certo", aponta Velasco.

Fonte: Administradores.com.br - O Portal da Administração

terça-feira, 19 de outubro de 2010

EXPORTAÇÕES

As exportações do agronegócio realizadas nos últimos 12 meses bateram recorde histórico, informa o Ministério da Agricultura. Os embarques contabilizados entre outubro de 2009 e setembro de 2010 somaram US$ 72,3 bilhões, montante que supera em US$ 550 milhões o maior valor registrado em 2008, de US$ 71,8 bilhões. A avaliação é que, passada a crise financeira, a previsão é de que o recorde anual seja superado. Tendo como principais compradores de produtos brasileiros China, União Europeia, Estados Unidos e Rússia, as exportações do setor acabaram sendo beneficiadas pelos preços das commodities agrícolas e pecuárias, compensando assim a desvalorização do dólar frente ao real. Entre os produtos que mais contribuíram para o incremento das vendas externas estão café, carnes, cereais, sucos de frutas, fibras têxteis e os itens que formam o complexo soja. Por país importador, destacam-se Argélia (aumento de 337% no total exportado pelo Brasil), Egito (113,4%), Arábia Saudita (68%) e Irã (63%).

Fonte: O Globo
As boas margens projetadas para a nova safra nacional de grãos, fibras e cereais devem elevar a renda dos produtores, aumentar os investimentos no setor rural e reduzir o endividamento no campo. A quebra das safras do norte da Europa pela seca aliada a custos menores e subsídios do Governo Federal serão a “ponte” para atravessar um ano que se desenhava negativo em termos de preços e rentabilidade. O faturamento bruto do setor deve subir 1%, chegando próximo do recorde de 2008. “O cenário é positivo, mas depende de análises individuais”, explica o diretor de Agronegócio do Banco do Brasil, José Carlos Vaz. “No Centro-Oeste, os mais capitalizados vão investir e os mais endividados vão pagar. No Sul, quem não for afetado pela seca fará o mesmo. Se perder até 15% ou 20%, o preço vai compensar eventual quebra”. No caso da soja, as margens médias projetadas por consultorias e bancos vão de 47% a 86% em Mato Grosso, e até 100% a 140% no Rio Grande do Sul. Para o milho, vão de 20% a 50% em Goiás a 30% a 55% no Paraná.


Fonte: Valor Econômico

Fundamentos são firmes, mas cenário econômico ainda pode provocar surpresas

A pausa que a soja fez para respirar nos primeiros dias de outubro foi curta e grossa. Depois de sentir a pressão de um movimento de realização de lucros relâmpago dos fundos de investimento, a oleaginosa negociada na Bolsa de Chicago voltou a ser alvo do capital especulativo e, na primeira quinzena do mês, já estava novamente operando com fortes ganhos, limite de alta e cotações na busca de US$ 12 por bushel, patamar psicológico que até chegou a ser alcançado na máxima do pregão noturno de sexta-feira (15), quando o novembro/10 bateu em US$ 1204,25. Tratou-se do maior valor para um contrato de primeira posição desde 13 de agosto de 2009, dia em que a soja iniciou um processo de perdas pesadas, provocadas pelas incertezas quanto à capacidade de recuperação da economia mundial. É do cenário econômico, aliás, que podem vir as maiores surpresas para as cotações da soja nos próximos dias, já que, no palco fundamental, o horizonte continua sem nuvens. Graças às sólidas exportações norte-americanas, ao apertado quadro de oferta e demanda nos EUA e às dúvidas quanto à atuação da La Niña nas lavouras da América do Sul.
AgRural