quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Segunda safra de milho depende da colheita da soja

No Paraná e em Mato Grosso, a área a ser destinada à segunda safra de milho, que começa a ser plantada em janeiro, segue indefinida. Se por um lado os preços internacionais incentivam a produção, por outro o clima pode limitar o cultivo. No Paraná, não deve faltar tempo para o plantio, avalia o técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Eugênio Stefanelo.

“O plantio da soja ocorreu dentro da melhor época e o, como o milho de segunda safra ocupa essa mesma área, também poderá ser semeado no prazo ideal”, afirma. Se houver retração, será por força do risco climática ou do mercado, considera. Já em Mato Grosso, se as chuvas atrasarem a colheita, pode faltar tempo para o plantio do milho. “Mato Grosso pode manter a área do ano passado se a colheita não atrasar, mas há risco de redução”, acrescenta.

Fonte: Agro Notícias

Preços de grãos poderão aumentar ainda mais, diz FAO

Os preços do milho, trigo e outros grãos podem aumentar ainda mais e as atuais condições climáticas são uma preocupação, disse um economista da agência de alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU) depois da alta recorde no índice de preços de alimentos em dezembro.

"Estamos preocupados, o motivo real da preocupação é a imprevisibilidade", disse o economista da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) Abdolreza Abbassian, em entrevista à Reuters nesta quarta-feira (5).

"Ainda existe espaço para que os preços aumentem ainda mais, se por exemplo as condições de pouca chuva na Argentina tenderem a uma seca, e se começarmos a ter problemas com uma onda de frio no hemisfério norte que prejudique a safra de trigo", disse ele.

Ondas de frio podem prejudicar safras semeadas, geralmente no outono, que poderiam ser colhidas no ano seguinte.

Abbassian acrescentou que, apesar dos altos preços, muitos fatores que provocaram os protestos de 2007/08, tais como a produção fraca nos países pobres e uma alta repentina nos preços de petróleo, não estão presentes atualmente, reduzindo o risco de maior instabilidade.
Fonte: Centro de Inteligência do Feijão

FAEG diz o que espera de 2011

De acordo com o presidente da FAEG e titular da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, José Mário Schreiner, 2010 se encerra com desempenho maior e melhor que o registrado no ano anterior, em níveis nacional e regional. Ele explica que o PIB brasileiro no acumulado até setembro de 2010, se comparado com o mesmo período de 2009, cresceu 8,4% alcançando R$ 937 bilhões. Nesse mesmo período, o setor agropecuário nacional cresceu 7,8%.

Segundo a FAEG, entre os grandes desafios para o próximo ano está a volta da inflação. “Trata-se de um fator que pode afetar de forma decisiva as previsões de crescimento para o agronegócio goiano e brasileiro”, disse Schreiner.

Ele explicou que mesmo com todos esses desafios, espera-se uma expansão do agronegócio goiano em 2011. “Há um cenário de aumento do consumo interno e externo puxado, principalmente, pela China e há a expectativa de que os preços das commodities permaneçam em níveis razoáveis no próximo ano”, esclareceu.

Espera-se que o crescimento do PIB nacional para 2011 seja em torno dos 5,5%, mantendo a meta de inflação em torno de 4,5%. Schreiner acredita que mesmo com a valorização do real, deve haver crescimento das exportações brasileiras do agronegócio para 2011 impulsionadas, sobretudo, pela melhoria da produtividade no campo.

Produção goiana

Em Goiás, semelhante ao projetado para o Brasil, a Faeg prevê que deverá ocorrer aumento da área e da produção agrícola. Segundo dados da entidade, a área plantada com cereais, fibras e oleaginosas deverá crescer 1,8% em relação à última safra, resultado do crescimento das áreas de soja e algodão. A entidade acredita que a produção goiana poderá chegar aos 13,57 milhões de toneladas, superior aos 13,46 milhões registrados na safra 2009/2010.

Schreiner fez um alerta sobre o início de uma escalada nos preços dos principais insumos agropecuários, sobretudo, fertilizantes. Essa valorização ocorre em função do aumento da demanda mundial e pela deficiente logística de recebimento desses fertilizantes nos portos brasileiros. Schreiner enfatizou que esse fato tem trazido grande preocupação aos produtores, devido ao possível impacto no aumento dos custos de produção para a safra 2011/2012.

Outra preocupação é com a inflação sobre os alimentos. Schreiner explicou que há 20 anos o peso dos alimentos na renda familiar do brasileiro era de 50%. Hoje, o peso é de 19%. Ele ressaltou que os alimentos foram a âncora do Real e da estabilidade econômica. Mas, nos últimos anos, tem-se registrado uma distância muito grande entre os preços pagos aos produtores pelos alimentos produzidos e os preços pagos pelos consumidores na aquisição dos mesmos alimentos.

“É o caso do feijão, por exemplo, o produtor recebe hoje R$ 1,37 pelo quilo do cereal, mas o consumidor compra o produto por R$ 3,50 o quilo.” Para a Faeg, mecanismos governamentais de crédito, seguro e comercialização implementados a tempo, à hora e na medida necessária minimizariam esses problemas de preços, normalmente ocasionados pela sazonalidade de produção.

VBP goiano

O Estado de Goiás caminhou na mesma direção. Dados levantados pela Gerência de Estudos Técnicos e Econômicos da Faeg demonstram que o Valor Bruto da Produção Agropecuária de Goiás (VBP) foi de R$ 18,4 bilhões em 2010, 2,66% superior a 2009. Schreiner esclarece que esse aumento se deve graças ao volume da safra 2009/2010 que foi de 13,4 milhões de toneladas - 1,85% superior à safra 2008/2009 - e à recuperação dos preços das principais commodities agropecuárias.

Até novembro deste de 2010, as exportações do agronegócio goiano foram de US$ 2,89 bilhões, montante que representou 74% do total das exportações de Goiás; 9,8% maior que 2009. Ao passo que as importações do agronegócio representaram apenas US$ 301 milhões, 7,92% do total das importações de Goiás. Schreiner enfatizou que todo esse desempenho se refletiu positivamente na abertura de vagas de trabalho. O setor agropecuário goiano conseguiu gerar mais de 65 mil postos de trabalho, superior aos 58 mil gerados em 2009.

Comunicação Integrada do Sistema FAEG/SENAR

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Produtores preveem maior rentabilidade na próxima safra

A safra de grãos brasileira de 2010/2011 deve ser ainda mais rentável para o produtor do que a deste ano. Para 2011/2012, a expectativa recua um pouco, puxada principalmente pela alta dos preços dos fertilizantes, que estão com baixos estoques tanto no Brasil quanto no exterior.

A redução dos custos de produção em 2010 e a realização de bons negócios na comercialização de grãos para 2011 devem aumentar ainda mais a rentabilidade do produtor brasileiro no ano que vem. Entretanto, para sócio diretor da Agroconsult, André Pessoa, os custos de produção ficarão mais altos no próximo ano, dado os baixos estoques de fertilizantes no mercado mundial, que praticamente alinham a oferta e a demanda do produto. "Para a safra 2011/2012 teremos, provavelmente, aumentos de custos ao produtor, já que a matéria-prima para fertilizantes está com preços mais altos no mundo inteiro, dado a falta de estoque", disse.

Pessoa garantiu que o episódio vivido pelo setor em 2008 não se repetirá, e a pressão dos custos será por conta da grande demanda por fertilizantes, principalmente oriunda do Hemisfério Norte que prevê uma grande safra de grãos em 2011. "O Hemisfério Norte vai plantar uma safra muito grande de grãos e o Brasil sentirá o reflexo disso. Não esperamos que 2011 repita o ano de 2008, quando houve uma disparada dos preços das matérias-primas de fertilizantes. É um ano que devemos ter uma pressão de custos muito mais pela crescente demanda dos insumos", garantiu.

Com isso, a expectativa do setor para a safra 2011/2012 indica uma rentabilidade menor, já que os custos de produção estarão maiores e os estoques de commodities mais estáveis. Para Alexandre Mendonça Barros, sócio consultor da MB Associados, espera-se entregar ao produtor em 2011 mais de 25,2 milhões de toneladas de fertilizantes, contra os 24,2 milhões previstos para este ano.

Apesar de uma produção maior, Barros afirmou que a tendência é seguir com estoques mais baixos para evitar riscos. "O ponto é que ninguém quer segurar estoque. Isso é a batata quente de quem está com medo. Então, 2011 será um ano para aumentar a margem de segurança no negócio para não correr riscos. Com isso, vamos trabalhar com um mercado curto também, e esse é o problema que está aparecendo agora", afirmou ele.

Barros contou que os defensivos agrícolas também tendem a acumular altas nos preços, com a possibilidade de alguns países reterem as exportações do produto. "Os preços dos defensivos agrícolas também irão subir, mas esse ciclo é muito menos intenso do que os fertilizantes. Entretanto, aposto que irão aparecer alguns países segurando a exportação de defensivos, atrapalhando o crescimento do setor."

Grãos

Para o próximo ano a expectativa do setor é que tanto o milho, quanto a soja e o café se mantenham em preços mais elevados.

A Agroconsult estima que a produção de café do Brasil em 2011 será de 46,5 milhões de sacas de 60 kg, ante 52 milhões de sacas este ano. Destaca-se que o setor cafeeiro sofre o efeito da bianualidade, quando em anos pares a produção de café é maior. Segundo André Pessoa os estoques baixos do café tanto no mercado internacional, quanto no Brasil, apesar da produção maior, estão puxando os preços para cima. "Este ano apesar de termos mais produção do que consumo, a diferença entre eles é muito pequena. Deveria ser maior para recompor estoques. Isso deve dar sustentação a preços em patamares elevados em 2011, como tivemos ao longo de 2010", frisou.

Em relação à soja, Pessoa afirmou que as previsões são mais difíceis. A expectativa de safra gira em torno de 68,4 milhões de toneladas, que representa uma redução ante 2009, quando foram colhidas 69 milhões de toneladas. O consultor atribui essa queda ao atraso do plantio da soja precoce na região Centro-Oeste, a estiagem no Rio Grande do Sul e a redução de área no Mato Grosso. "No Mato Grosso, algumas áreas que seriam destinadas à soja foram cobertas por algodão. O produtor nem plantou soja. Mesmo porque algumas safras estavam muito ruins", finalizou.

Fonte: DCI

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Produtividade de soja cresce 5,8% em oito anos

Em 2003, a área plantada com grãos era de 40 milhões de hectares. Oito anos depois, essas culturas ocupam 47 milhões de hectares, crescimento de 17,5%. Na previsão da próxima safra agrícola, essa área praticamente se conserva, apesar do aumento previsto da produção. Isso significa que o Brasil produz mais alimentos numa área que se mantém constante – ou seja, o crescimento das safras se deve ao aumento da produtividade.

O índice médio de produtividade das 14 principais lavouras passou de 2,8 mil kg/ha, em 2003, para 3,1 mil kg/ha, em 2010 – crescimento de 12%. Uma medida mais abrangente da evolução da produtividade considera todos os produtos agropecuários (lavoura e pecuária), e todos os insumos. “Nesse caso, a produtividade tem crescido a uma taxa anual de 5,8% nos últimos oito anos”, observa José Gasques, coordenador de Planejamento Estratégico do Ministério da Agricultura.

O desenvolvimento do setor se explica pela modificação dos processos e técnicas de produção, que hoje incorporam o conhecimento científico e tecnologias de ponta, apontadas entre as mais avançadas do mundo. Isso permite produtividade ainda maior, com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que vem contribuindo para a adaptação das culturas às mais diversas condições de clima e solo e dos procedimentos adotados na atividade agropecuária.

O bom desempenho do agronegócio brasileiro é resultado também da capacidade empreendedora dos produtores, que superaram as condições e adaptaram-se às novas tecnologias, melhorando a cada ano seu sistema de produção, com a utilização de máquinas e adoção de sementes mais produtivas.

Mais crédito

Além do fator tecnológico e das boas condições climáticas, ações governamentais apoiaram o avanço da produção de alimentos, com a concessão de crédito agrícola de baixo custo e o fortalecimento e integração das cadeias produtivas agropecuárias. O crédito beneficiou a produção agropecuária empresarial nas áreas de investimento, custeio e comercialização. Os financiamentos concedidos saltaram dos R$ 30 bilhões, em 2003, para R$ 84,4 bilhões, em 2009/2010. Um incremento superior a 181%. E para a atual safra 2010/2011, os recursos chegam a R$ 100 bilhões. Um recorde histórico.

“O crédito rural ainda é importante instrumento de apoio ao agricultor e, nesse sentido, o governo não tem deixado faltar recursos para a produção e a comercialização”, destaca o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães. “O volume de crédito tem sido crescente ao longo de todo esse período, mesmo em tempo de crise de liquidez, como ocorreu em 2008”.


Com o aprimoramento da política de crédito, o governo inovou no planejamento da safra 2002/2003, ao condensar diversas linhas de financiamento em grupos de programas, com o objetivo de facilitar o acesso do agricultor aos recursos. Naquela safra ocorreu a possibilidade de redistribuição dos investimentos entre os diversos programas de investimento, favorecendo a aplicação.


Nos três primeiros anos do governo Lula, de 2003 a 2005, houve um aumento significativo na oferta de crédito para o meio rural. A aplicação dos recursos promoveu a modernização da atividade e o acesso a tecnologias de padrão mais elevado, favorecendo a redução do risco e o aumento da competitividade. Nesse período, além de aumentar o volume de crédito, o governo garantiu mais agilidade para que os financiamentos chegassem a tempo aos agricultores e reduziu as taxas de juros.


Novos instrumentos
Ainda no contexto de aperfeiçoamento da política agrícola, também destaca-se a criação de instrumentos privados de financiamento do agronegócio nos anos de 2004 e 2005. São os chamados títulos de crédito do agronegócio: Certificado de Depósito Agropecuário e o Warrant Agropecuário (CDA/WA), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA). O objetivo foi atrair poupança interna e externa para aplicação na produção, processamento e comercialização, ou seja, em toda a cadeia dos produtos do agronegócio.


A evidência do êxito desses instrumentos pode ser constatada no volume de operações realizadas desde a sua criação, há cinco anos. Foram distribuídos, num total acumulado de R$ 238 bilhões, 59.196 títulos registrados na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa) e na Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip).


Com relação aos gastos do governo federal para o apoio à comercialização e sustentação de preços, desde 2003 até setembro de 2010 foram alocados R$ 13,6 bilhões para a comercialização de 78 milhões de toneladas algodão, arroz, café, feijão, mandioca, milho, trigo, soja, entre outras. “Hoje, o setor agrícola encontra-se numa situação muito mais favorável do que em 2002”, avalia Silvio Porto, diretor de Política Agrícola e Informações, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).


Ele considera que o governo fez bem ao voltar a atuar efetivamente no mercado, com a sustentação de preços de produtos agrícolas, e dando aporte na remuneração do agricultor. “Elevamos significativamente os preços mínimos, o que permite pagar a diferença do preço de mercado em relação ao preço mínimo utilizando os instrumentos da subvenção, no caso o Prêmio para Escoamento de Produto (Pep) ou Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), ou fazendo as aquisições para a formação de estoques públicos por meio do AGF (Aquisição do Governo Federal) e dos Contratos de Opções de Venda”, acrescenta.
Fonte: Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Safra 2010/11: chuva propicia avanço do plantio

O início do período de chuvas repôs os índices de umidade do solo e permitiu o avanço do plantio da safra de grãos nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Já na Região Sul, o volume de chuvas continua abaixo do normal, o que pode comprometer o desenvolvimento das lavouras, deixando os produtores apreensivos com a possível confirmação dos impactos negativos do fenômeno La Niña para o desenvolvimento das culturas, pois a principal característica do fenômeno climático é a falta de chuvas. A avaliação consta na edição de novembro do boletim “Custo e Preço”, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que indica que, no caso da soja, 76% da área prevista para o ano-agrícola foi plantada até o mês passado, o que significa 24,024 milhões de hectares. Em igual período do ano passado, o porcentual de plantio das lavouras de soja era praticamente o mesmo.

Fonte: CNA

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Comissão aprova R$ 25 bi em subsídios aos produtores

A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou na quinta-feira um polêmico projeto de lei que transfere R$ 25 bilhões anuais em subsídios do Tesouro Nacional aos produtores rurais.

O texto do deputado Carlos Melles (DEM-MG), que ainda será submetido a outras duas comissões, prevê a concessão de um subsídio direto de R$ 500 por hectare de área cultivada ou explorada com atividades agropecuárias. A ajuda pode ser atualizada a cada dois anos até o limite de R$ 750. Pelo texto, o produtor continuará a receber outros subsídios - seguro rural, frete, escoamento da safra. Além disso, o governo poderá fixar subsídios adicionais a culturas "ricas em proteínas". O dinheiro seria embolsado até 31 de março de cada ano, plena época de comercialização da safra de grãos.

"Não é um troco, mas está mais do que na hora de subsidiar a agricultura. A sociedade está madura para entender isso. E vai ser uma conta aberta, não tem nada de esqueleto", diz o deputado Melles. Para ele, a geração de empregos e de renda no campo "mais do que justificam" os subsídios. "Abrimos lá atrás para o Pronaf [apoio à agricultura familiar] e hoje temos R$ 16 bilhões de orçamento".

O relatório, assinado pelo deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS), estima que a medida beneficiará 50 milhões de hectares, área equivalente ao total hoje plantado com grãos, fibras e cereais no país. Quem receber o subsídio não poderá estar inadimplente com o Fisco ou bancos oficiais, além de ter que respeitar regras trabalhistas, ambientais, sanitárias, alimentares, de zoneamento agrícola e de bem-estar animal.

Os deputados defendem o benefício como forma de "mitigar" efeitos negativos climáticos, cambiais, de mercado e de crédito no país. E só seria suspenso se, e quando, os principais países produtores e exportadores de alimentos revogassem os subsídios diretos aos seus produtores. "É uma forma de dizer às potências que também temos bala na agulha. Se eles tirarem subsídios lá, nós tiramos aqui", diz Carlos Melles. Ele estima em US$ 500 bilhões os subsídios agrícolas na Europa e EUA.

O projeto não especifica impactos negativos sobre os preços da terra ou a tendência de concentração desse ativo, além de evitar detalhes técnicos de rotação de culturas ou o modelo de pecuária. "Dada à magnitude da subvenção, equivalente ao custo de produção da lavoura ou de exploração pecuária, ser dono de terra significará ser candidato a receber polpuda subvenção", critica o deputado

Beto Faro (PT-PA), que redigiu um relatório derrotado e substituído na Comissão de Agricultura pela bancada ruralista.

Além disso, os opositores da medida apontam a dívida rural, estimada em R$ 100 bilhões, como o motivo da busca pelo subsídio. "O mercado de terras experimentará imediata reação, elevando sobremaneira seu custo. Os agentes econômicos visualizarão, em sua posse, a possibilidade de ganhos imediatos e fáceis", diz Faro. Para ele, a "falta de limites" do projeto transforma os 300 milhões de hectares em candidatos potenciais ao subsídio. "O projeto eleva demasiadamente as despesas públicas com o setor. Não assegura distribuição justa dos recursos públicos no âmbito das diversas categorias de produtores rurais. E, principalmente, poderá se transformar em fator de contrariedade da opinião pública com o setor agropecuário".


Valor Econômico